Olhos voltados para o Futebol Feminino

Uma mudança no estatuto da Conmebol e nos regulamentos das competições realizadas pela Confederação impõe a manutenção de equipes femininas pelos clubes, como um dos requisitos para disputar a Copa Libertadores e a Sulamericana, a partir de 2019. A medida colocou novamente em pauta as discussões sobre a necessidade de fomentar a modalidade do futebol praticada por mulheres.

O futebol feminino chegou ao Brasil na década de 1920 e teve sua prática proibida pelo então Presidente da República Getúlio Vargas, por decreto, no ano de 1941, proibição que se estendeu pelo período de ditadura militar, somente a modalidade sendo reconhecida como esporte na década de 1980. O primeiro selecionado brasileiro foi formado em 1986. Atualmente é praticada por cerca de 400 mil mulheres no Brasil, segundo estimativa revelada à revista The Atlantic, e responsável por revelar ótimas jogadoras, entre elas Marta, eleita melhor do mundo pela Fifa, por cinco vezes consecutivas. Contudo, a modalidade ainda não conseguiu grande notoriedade e luta contra falta de um calendário estruturado, a falta de apoio e até preconceito, já que ainda existe uma parcela da população que considera o futebol um esporte destinado ao público masculino.

A geração encabeçada por Marta conquistou duas medalhas de prata olímpicas (2004 e 2008) e um vice-campeonato da Copa do Mundo em 2007, entretanto faz-se necessário, proporcionar condições para revelação de novas jogadoras para dar continuidade aos bons resultados e consolidar o Brasil como potência do esporte.

Por se tratar de uma modalidade que praticamente não recebe investimentos privados, fica clara a necessidade de transformá-la mais atraente para o mercado publicitário, com maior visibilidade e confiança no retorno do investimento. Pesquisa da revista Exame, em parceria com a consultoria Portas, aponta investimentos em patrocínio esportivo girando em torno de R$ 3 bilhões ao ano, no Brasil é preciso um esforço conjunto do Poder Público, Confederação Brasileira de Futebol, clubes e mídia pra que o futebol feminino possa “abocanhar” uma fatia maior destes recursos.

A MP do Futebol figura como aliada da modalidade, já que no texto da medida provisória, uma das exigências para refinanciamento das dívidas dos clubes é o investimento em equipe feminina, e Corinthians e Flamengo já anunciaram recentemente a criação do time de mulheres, o rubro-negro em parceria com a Marinha do Brasil.

O Paulista Futebol Clube conta com sua equipe feminina de futebol e faz um belo trabalho, através de sua comissão técnica, em parceria com a Prefeitura Municipal de Jundiaí. Disputando competições e realizando intercâmbio com a escola norte-americana, maior vencedora da modalidade, com disputas de amistosos contra a seleção universitária dos EUA. As convocações recentes de atletas do Galo demonstra que o trabalho vem gerando frutos e se trata de uma oportunidade para as empresas da região. Apoiar projetos destinados às categorias de base e ter sua marca associada ao esporte que tem tudo para crescer, e o futebol feminino do Paulista possa ser cada vez mais forte, revelar novos talentos e abrir novos horizontes para muitas meninas se tornarem atletas de alto nível.